09
Aug
Esquire Theme by Matthew Buchanan
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19
Mar
Esta é a história de como eu, uma reles prostituta, fiquei rica.
Tudo começa com um homem franzino, um velho, cercado de pessoas que o observavam fascinadas. Considere que esse homem está prestes a ganhar um milhão de dólares e tudo que ele precisa fazer é escolher o número certo. Se ele o fizer, a pilha de fichas, acumuladas entre diversas jogadas perdidas e ganhas, dobrará de tamanho, o que por certo levará aquela espelunca de quinta categoria à falência.
Imagine um homem que jamais, em toda sua patética existência, cogitou obter tal quantia. Pense que, agora, essa ideia lhe parece tão próxima que ele pode sentir o cheiro.
Não que o dele seja um daqueles lances de sorte de principiante. Morando em Nevada, onde cassinos e capelas 24 horas são as principais atrações, a jogatina já havia se tornado um hábito quase diário.
Imagine que esse idiota recebe uma miséria de aposentadoria e que ele se dedica a tentar aumentar essa quantia o tanto quanto pode para comprar qualquer tipo de droga que o tire da sua triste realidade.
Esses são seus vícios. Essa é sua vida.
Mas pense que, justo nesse dia, a sorte desse bastardo resolve mudar. Imagine que ele virou a noite jogando na mesma mesa, saindo apenas para ir ao banheiro, onde certamente havia cheirado algumas carreirinhas brancas para se manter ligado.
Agora ele sua, feito o porco que é, com a expectativa de quebrar a banca. Imagine seus olhos, vidrados pelo efeito da droga, fitando o feltro verde, enquanto tenta decidir o pequeno quadrado onde depositará todas as suas fichas.
Considere que ele, por fim, escolhe um número aleatório e cruza os dedos magros, observando a bolinha branca girar, girar e girar na direção contrária da roleta e cair, precisamente, no número três. Agora esse é seu número da sorte.
Ele permanece imóvel por diversos segundo antes de berrar aos quatro cantos que está rico. Imagine que seus mais novos amigos o ovacionam na esperança de ganhar alguma esmola.
Ainda incrédulo, recolhe as moedas de plástico e as leva até o caixa, onde as troca por dois grandes sacos de papel pardo lotados de cédulas amassadas e sujas.
Imagine que este imbecil sai do cassino, sendo surpreendido pelo sol escaldante do verão seco do deserto, e caminha até seu Pontiac azul.
Considere, então, que ele está sentado no banco do motorista, os dois sacos cuidadosamente posicionados ao seu lado, respirando fundo diversas vezes enquanto tenta fazer a cabeça parar de girar. Pense que ele já sabe exatamente a primeira coisa que precisa fazer agora que está rico.
Este homem, esqueci dizer, possui ainda mais um vício: mulheres. Putas pagas, para ser mais exata. Não foi por isso que sua mulher o havia abandonado há muito, mas certamente ajudou; não foi por isso que ele acabou por levar a única filha para morar num trailer imundo porque não podia pagar o aluguel, mas é possível que tenha feito parte; não foi por isso que essa mesma filha fugiu de casa muito antes de atingir a maioridade, mas não acho que tenha sido mera coincidência.
Mas agora ele pensa que faz tempo que ele não sente a pele nua e úmida de uma mulher em contato com seu corpo flácido.
Aquele tarado carente.
Então lembre que agora ele tem muito dinheiro e não precisa se contentar com pulgueiros e prostitutas velhas e esgaçadas. Ele pode ter acesso a putas de luxo, siliconadas e bronzeadas, daquelas que usam perucas para imitar um cabelo perfeito. Daquelas que parecem atrizes de cinema. E é só nisso que ele consegue pensar.
Imagine que esse homem escolhe justamente o puteiro no qual eu trabalho. E eu dou o azar de ter esse idiota mandado para o meu quarto. E agora pense que antes disso ele estava no salão de baixo bebendo whisky e cheirando pó, enquanto babava em outras putas que dançavam no seu colo por gorjetas. Imagine que está tão bêbado que não dá ouvidos aos meus berros insistindo, implorando, para que ele pare.
“Por favor, não!”, digo.
Imagine que suas mãos ásperas agarram todas as partes do meu corpo, enquanto eu quase vomito.
“Por favor, pare!”, grito.
Imagine que durante esse frenesi seus braços magros estão mais fortes que nunca e ele me aperta cada vez mais, enquanto tento, em vão, empurrá-lo para longe de mim.
“Por favor, saia!”, suplico.
Imagine que ele só pára quando chega ao fim dentro de mim.
Apenas nesse momento ele levanta o olhar para minha face. Considere que ele me reconhece; que ele começa a chorar e balbuciar coisas sem nexo; que ele se lamenta vergonhosamente sobre a merda que acaba de fazer.
Imagine que ele me pede desculpas, enquanto o olho com nojo através das lágrimas; que ele me entrega as chaves de um Pontiac azul; que ele sai correndo gritando loucuras.
Pense que ele chega no seu trailer e passa a procurar freneticamente por algo. Considere que esse algo, um revólver, é frio e pesado em suas mãos trêmulas. Imagine que ele puxa o gatinho e que a bala sai precisamente no apertão número três para dentro de sua boca.
Aquele sortudo filho de uma puta.
E é assim que ele morre, deixando um milhão de dólares para mim, a filha que ele acaba de estuprar.
Lamara Disconzi
O cinema e a moda sempre andaram de braços dados. É impossível negar que o figurino possui um papel importantíssimo em qualquer produção audiovisual, podendo até ser sua garantia de sucesso. De “Bonequinha de Luxo”, com seu vestido preto Givenchy, a “O Diabo Veste Prada”, os grandes estilistas possuem uma participação cada vez maior dentro dos filmes.
Mas agora a moda não é apenas coadjuvante, é protagonista. A nova febre entre as maiores marcas é transformar comerciais de moda em pequenos curtas, dirigidos por grandes nomes do cinema.
Um dos primeiros e mais famosos “curtas de moda” é o comercial do Chanel No 5, dirigido por Baz Luhrmann (“Moulin Rouge”, “Austrália”, “Romeo + Juliet”), estrelando Nicole Kidman. A produção custou milhões, e ainda conta com Rodrigo Santoro como par romântico de Kidman. O filme de dois minutos relata a história de amor entre uma atriz famosa e um homem comum, onde não há um final feliz. Com esse roteiro, a estética de Luhrmann e a presença de Nicole Kidman, é a versão Chanel de “Moulin Rouge”.
Chanel No 5 by Baz Luhrmann:
http://www.youtube.com/watch?v=6jdTE_5e3LA&feature=related
Depois do sucesso do primeiro comercial, a Chanel resolveu continuar fazendo parcerias com diretores renomados. Em 2009, convidou Jean-Pierre Jeunet (“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, “Eterno Amor”) para a realização da nova campanha do mesmo perfume. O rosto da campanha não poderia ser ninguém mais que Audrey Tautou, que não apenas já havia trabalhado com Jeunet em “Amélie Poulain” e em “Eterno Amor”, como havia interpretado a própria Coco Chanel no filme “Coco Antes de Chanel” no mesmo ano.
Chanel No 5 by Jean-Pierre Jeunet
http://www.youtube.com/watch?v=6ljQDJ4EILc
Em 2010, depois de uma década sem um lançamento de um perfume masculino, a Maison francesa chamou ninguém menos que Martin Scorsese (“Taxi Driver”, “Os Bons Companheiros”, “Os Infiltrados”, “Ilha do Medo”) para dirigir o comercial da nova fragrância Chanel Bleu.
Chanel Bleu by Martin Scorsese
http://www.youtube.com/watch?v=oG-nnDlnWrA&feature=player_embedded
A Dior também aderiu à ideia de ter grandes nomes do cinema associados à marca. Uma das primeiras contribuições foi de Sofia Coppola (“Maria Antonieta”, “Virgens Suicidas”, “Encontros e Desencontros”) para o perfume Miss Dior Chérie em 2008. Comparado a outros “filmes de moda”, pode-se dizer que o de Sofia Coppola é simples, mas o importante é que capta a essência da fragrância e é fiel ao estilo da cineasta. Assim como o perfume, o filme, que leva a música de Brigitte Bardot, “Moi, Je Joue” (“Eu, eu jogo”), é leve e destinado a garotas românticas e modernas.
Miss Dior Chérie by Sofia Coppola
http://www.youtube.com/watch?v=0oWGD5yYS9g
A parceria deu certo. Sofia Coppola foi chamada de volta para dirigir o novo filme da fragrância, desta vez estrelando Natalie Portman. O filme acaba de ser lançado.
Miss Dior Chérie by Sofia Coppola http://www.youtube.com/watch?v=TsmnddJiDS8
É interessante observar como esses cineastas utilizam os recursos do filme para acentuar o produto, a marca. Eles partem do princípio da publicidade mas, ao usarem a linguagem cinematográfica, a mensagem passa a ser mais forte, a marca passa a ter ainda mais valor.
Quando se fala em fragrância, um dos recursos que mais chama a atenção é a trilha sonora. Scorsese escolheu Rolling Stones para o filme da Chanel e essa escolha não foi em vão. A trilha ajuda a passar a ideia do filme, do perfume, da marca.
Em 2007, a atriz Eva Green estrelou um comercial do perfume Midnight Poison da Dior, dirigido pelo cineasta chinês Wong Kar Wai. Uma das coisas que mais chama a atenção no filme, além do vestido azul de John Galliano, é a trilha: a música “Space Dementia” da banda britânica Muse.
Dior Midnight Poison by Wong Kar Wai
http://www.youtube.com/watch?v=5lzfTW0z1HU&feature=related
Outra trilha bem marcada é a do filme de David Lynch (“Cidade dos Sonhos”, “Veludo Azul”) para o Gucci by Gucci, com a música “Heart of Glass” (Blondie).
Gucci by Gucci by David Lynch
http://www.youtube.com/watch?v=c2QFZ-Njmjo&feature=fvw
A Gucci chamou também, esse ano, o cartunista/roteirista/diretor Frank Miller (“Sin City”, “The Spirit”) para dirigir um filme que falta em história, mas sobra na estética para o perfume feminino Gucci Guilty. Direcionado para o público jovem, além de ter um grande nome da cultura pop no comando, o comercial ainda conta com a presença de Evan Rachel Wood e Chris Evans como protagonistas. Na trilha sonora, uma versão de “Strangelove” do Depeche Mode feita pelo Friendly Fires. O resultado lembra bastante os outros trabalhos de Miller, num clima bem HQ.
Gucci Guilty by Frank Miller
http://www.youtube.com/watch?v=7K2GAoBTuc4
O filme foi lançado na internet em sua versão compacta, de 20 segundos. A versão do diretor, de um minuto, foi lançada durante a premiação da MTV Music Video Awards, nos Estados Unidos. Mais uma jogada de marketing.
Falando ainda de perfumes, é interessante ressaltar o filme feito por Ridley Scott (“Robin Hood”, “Um Bom Ano”, “Falcão Negro em Perigo”, “Gladiador”) e sua filha Jordan Scott para a Prada. Destinado a nenhum perfume em particular, mas sim a todas as fragrâncias Prada, o filme possui planos belos e um texto inspirado que define a “mulher Prada”.
Thunder Perfect Mind by Ridley and Jordan Scott
http://www.youtube.com/watch?v=1jP36p0kjTI&feature=player_embedded#!
Outro filme que foi feito, não para um produto específico, mas para uma coleção inteira, foi o do cineasta francês Samuel Benchetrit para o desfile da coleção masculina primavera/verão da Yves Saint Laurent.
Yves Saint Laurent Spring/Summer 2010 Homme/Men by Samuel Benchetrit
http://www.youtube.com/watch?v=_vayGuuFiUI
No final de 2009, também com o intuito de fazer um filme para ser mostrado precedente ao desfile, a marca de lingeries Victoria’s Secrets chamou Michael Bay (“Transformers”, “A Ilha”, “Pearl Harbor”, “Armageddon”). A ideia da marca era fazer um comercial de natal com os dizeres “Um presente. Mil fantasias”. O diretor de “Tranformers” não teve dificuldade em fazer um filme com muita ação e pouca roupa. Ainda mais quando as protagonistas seriam ninguém menos que as “Angels” da Victoria’s Secrets.
Victoria’s Secrets by Michael Bay (2009/10)
http://www.youtube.com/watch?v=TmNEG8IFd_Y&feature=channel
A ideia deu tão certo que Michael Bay foi chamado novamente para fazer o comercial deste ano.
Victoria’s Secrets by Michael Bay (2010/11)
http://www.youtube.com/watch?v=yRyZ-W4QlmQ&feature=player_embedded
Ainda na linha de filme para coleção, A Missoni chamou o polêmico Kenneth Anger (“Kustom Kar Kommandos”, “Fireworks”, “Mouse Heaven”, “Ich will!”) para dirigir o seu novo vídeo. Com toda a família Missoni no elenco, o filme é completamente fiel ao estilo de Anger (já com 83 anos), não deixando nada a desejar para os fãs de seu trabalho. Nem para os fãs da Missoni.
Missoni by Kenneth Anger
http://www.youtube.com/watch?v=P-n2fWtbj2U&feature=player_embedded#!
Outra parceria polêmica foi a de Mike Figgis (“Despedida em Las Vegas”, “Timecode”) com a marca de lingeries Agent Provocateur. Figgis dirigiu uma série de quatro vídeos provocantes protagonizados por Kate Moss chamada “The Four Dreams of Miss X” (os quatro vídeos são: “Shadows”, “Scale”, “Exhibitionist” e “Narcissus”). No lançamento, em 2006, os milhares de acessos deixaram o site da empresa fora do ar por algum tempo. Hoje, é possível comprar o DVD (com conteúdo extra) pela internet.
The Four Dreams of Miss X by Mike Figgis
Part 1: Shadows
http://www.youtube.com/watch?v=0AjJnsnklbI
Part 2: Scale
http://www.youtube.com/watch?v=4s4xVAgcxpc&feature=related
Part 3: Exhibitionist
http://www.youtube.com/watch?v=ncG-jYhSUNk
Part 4: Narcissus
http://www.youtube.com/watch?v=T7Q258kUuu4
Um vídeo muito interessante é a animação que Takashi Murakami fez para a Louis Vuitton para comemorar os seis anos de parceria entre ele e a marca.
Superflat First Love by Takashi Murakami
http://www.youtube.com/watch?v=yqaXxSBZTZc
E falando em bolsas, a DKNY convidou o cineasta (e filho do cantor Sting) Jake Sumner para dirigir o filme para mostrar a nova bolsa Eldridge, cujo diferencial é que ela pode ser usada de quatro maneiras distintas. Para mostrar isso, a protagonista (Christina Ricci) desempenha quatro papéis diferentes, em uma tela dividida em quatro. “Eu tenho sido uma devota da Donna Karan há muito tempo. Essa é a oportunidade perfeita para trabalhar com um novo diretor maravilhoso, vestir peças fabulosas, estar em Nova York e fazer um filme muito legal. Foi muito divertido”, diz Christina.
Four Play by Jake Sumner
http://www.youtube.com/watch?v=ku1Zoga34jU&feature=player_embedded#!
E, por fim, quando se fala em parcerias entre grandes marcas e grandes diretores, não é possível deixar de fora a série de filmes para as bolsas Lady Dior. Já são quatro filmes, cada um por um diretor diferente, mas todos protagonizados pela belíssima Marion Cotillard e com John Galliano na direção de arte (http://www.ladydior.com/thefilm/).
O primeiro filme é Lady Noire, dirigido pelo francês Olivier Dahan (“Piaf – Um Hino de Amor”, “Rios Vermelhos 2”). O filme se passa em Paris e, como já diz o nome, segue a linha dos filmes noir.
Lady Noire by Olivier Dahan
http://www.youtube.com/watch?v=A1P60UAdJsE&feature=related
O Segundo filme é chamado Lady Rouge e é dirigido por Jonas Akerlund, mais conhecido por seu trabalho na direção de videoclipes (“Telephone” – Lady Gaga, “I Miss You” - Blink 182, “Beautiful Day” – U2, “Ray of Light” – Madonna). Ambientado em Nova York, com a participação da banda Franz Ferdinand (com a música “Eyes of Mars”) e a performance musical de Marion, o filme confunde-se com um videoclipe avermelhado.
Lady Rouge by Jonas Akerlund
http://www.youtube.com/watch?v=hj2yzpbWquA&feature=related
O terceiro, e provavelmente, mais famoso até então, é o Lady Blue Shanghai, dirigido por David Lynch. Para este filme, os únicos pedidos feitos pela Dior a Lynch foram: que a história se passasse em Shangai e que mostrasse a bolsa, é claro. O resultado foi um filme de 16 minutos sobre uma mulher em Shangai que lembra de um romance na noite anterior que ela não sabe bem se foi um sonho ou não. A cara de Lynch.
Lady Blue Shanghai by David Lynch
http://www.youtube.com/watch?v=7gmisZlnyRM
http://www.youtube.com/watch?v=O_a8R0pPjvc
O quarto e último filme é Lady Grey London de John Cameron Mitchell (“Hedwig – Rock, Amor e Traição”, “Short Bus”). Com uma personagem cheia de mistério, é o mais sensual de todos os quarto. Conta também com a participação de Sir Ian Mckellen.
Lady Grey London by John Cameron Mitchell
http://www.youtube.com/watch?v=YfyGjy5ajF8&feature=player_embedded#!
Quando um designer se associa a um cineasta, não está fazendo isso apenas pela propaganda. Está fazendo isso pois sabe que ele possui a competência para passar adiante a ideia que está imersa em sua coleção. Sabe que partilham de uma visão semelhante. E quando se percebe a “marca” do cineasta em um filme de moda, mas sem perder a essência do estilista em questão, o casamento entre designer e diretor foi um sucesso.
Lamara Disconzi
17
Dec
Tati Bernardi
(Source: sempresorria)
01
May
Damned, o próximo livro do mestre Palahniuk está previsto para 2011. A história é sobre uma menina de 11 anos que vive LITERALMENTE no inferno. Coisas de Chuck. Vai ser lindo!
29
Apr
A consciência de amar e ser amado traz um conforto e riqueza à vida que nada mais consegue trazer.
Meu blog de contos.